On this side of the Universe.

terça-feira, outubro 18, 2005

O senhor da guerra não gosta de crianças.

Será que a gente tem mesmo a idéia da realidade que vivem os jovens e as crianças do nosso Brasil ? Um país cantado em tons de cores vivas, mas que vive uma realidade tão distante da aquarela que Ary Barroso sonhou. Outro dia me revoltei duma forma absurda assistindo uma matéria na tv sobre um campo de treinamento da Al Qeda, onde crianças à partir de oito anos de idade começam seus treinamentos de tiro com metralhadoras. A pior notícia é que não preciso ir longe para presenciar cenas como essa, é somente ir para qualquer morro no Rio de Janeiro que isso acontece todos os dias. Crianças que não possuem nomes e sim posições de estratégia. Crianças que não vão à escola, mas trabalham no tráfico sem horário para começar ou terminar, tudo para levar um quilo de carne e meia dúzia de pães para o lar. Eu estou lendo o livro do MV Bill e cada página parece me tirar as esperanças e me dá muita raiva de saber que tudo isso é verdade e acontece nesse exato momento, na Rocinha, no Dona Marta, na Cidade de Deus, na Paraíba, no Rio Grande do Sul, enfim é de todos os lados. E se você examinar o problema da raiz mesmo, daí que parece não ter soluções. Durante a leitura uma pergunta não sai da minha cabeça; "e o Brasil será que tem mesmo solução?". Eu não sei. Só sei que onde há vida tem que haver esperança, e não podemos desistir nunca. Aqui vai um trecho que achei de uma verdade maravilhosa (ainda mais nessa última semana que se segue para o referendo) vale a pena rearfimar; armas não resolvem o problema, só tiram os sonhos das crianças e colocam um futuro de morte para os nossos jovens.

(...)
Podíamos permitir que o Brasil soubesse que, por trás de uma arma, tem um coração batendo; que é preciso uma grande intervenção política no país para que não estejamos fadados à escravidão de seres humanos; e que essa intervenção não seja policial, mas em todas as áreas. Não é possível continuar matando esses jovens como se eles fossem os nosso algozes. Não é possível ficar martelando esses jovens e os enjaulando como animais em celas frias. Não é possível a sociedade se escandalizar com as rebeliões dos menores e não ficarmos escandalizados com o fato de serem zero as chances de suas famílias serem parte de uma sociedade civilizada. Pois, se achamos que o mundo caminha como deveria e que só os outros é que estão errados, então seria melhor abrir a boca, escancará-la e esperar a morte chegar - se é que tenho direito à licença poética.