On this side of the Universe.

sábado, dezembro 31, 2005

O preco da maçã.

Desde o seu início na Europa, o Capitalismo com seu absolutismo e com o controle do Estado em nada mudou para a atual realidade econômica em que vivemos. Ou seja a definição de preços é feita pelo mercado, com base na oferta e na procura, isto é, na disputa de interesses entre quem quer comprar e quem quer vender produtos e serviços. No capitalismo, é o mercado que orienta a econômia. Quanto mais interesse existe em um produto, maior o interesse do Estado. O que mudaria esse quadro seria a livre concorrência. A concorrência é a competição na venda dos bens e serviços. Na prática seria onde todos são igualmente livres para produzir, comprar, vender, mas isso não existe. Não existe porque o mercado vem sendo dominado por grandes organizações, que expandem cada vez mais sua área de atuação eliminando pequenos e médios concorrentes. Querem um exemplo? O Ipod. Desde o seu lançamento, não existe nada no mercado hoje, que consuma tanto a cabeça de jovens, velhos e crianças. Todo mundo quer um pedaço da maçã. O meu primeiro Ipod (digo primeiro porque o mesmo foi retornado a Apple várias vezes), eu comprei a cerca de dois anos a trás. Antes mesmo do furor e da febre que existe hoje. Funcionava bem, deu um problema de freezing, mandei para a fábrica me mandaram um novo. Milagres da garantia de um ano. Mas a garantia acabou, eu nem pensei em renovar.(tudo por um razoável preco de sessenta dólares). Comprei um novo pc, novamente um pedaço da maçã. Fui reinstalar meu Ipod. Congelou. E não voltou mais. Eu ainda tinha esperanças que ele estivesse se reajustando a idéia de largar Bill Gates e retornar ao lar. Mas ele não quis saber. Hoje fui na Apple Store aka Geek Store. E levei meu Ipod adoentado para o especialista. Lá, um garoto, de óculos (marca registrada da Geek Store), e sotaque indiano fez de tudo para reánima-lo. Tentou tudo o que eu já havia tentado casa (isso me faz meia-Geek). E nada. Ele me disse que havia feito de tudo mas era impossível trazê-lo de volta a vida. Ele não poderia mais cantar para mim. E ali ele se foi com mais de três mil títulos e mais de dois anos de trabalho árduo de contrabando de música. Perguntei o que poderia ser feito e ele me disse que o hard-drive não estava bom. Hard-Drive no caso do Ipod seria o coração. Ele precisaria de um transplante. Quando ele me disso isso já imaginei que não sairia barato. Você já viu transplante de coração por menos de cem dólares? Nem eu. Dito e feito. Para reimplantar um novo coração; cento e sessenta dólares, despesas de correio; mais uns trinta. Ver a dona do Ipod pulando de alegria quando ele voltar novinho? Não tem preço. Tem preço sim! Para mandar arrumar meu velho Ipod ficaria na base de uns duzentos dólares. Um novo está duzentos e noventa e nove. Ok. O que eu faria com o velho se quisesse comprar um novo? Existe um programa chamado Recicling Ipod. Não pense vocês que é uma coaligação com o Greenpeace e toda venda dos Ipod's remanufaturados serão para organizações com base de ajuda no desmatamento da Amazônia. Ou muito menos uma campanha do Bono de levar Ipods para crianças na África. Não, nada disso. Eh somente uma maneira de "ajudar" o beneficiado (no caso eu), a comprar um novo com descontos. Nossa que fantástico! Quero um novo já! Mas quantos porcentos eu tenho de desconto, já que eu tenho um Ipod que quebrou por falha no sistema inútil que vocês criarão? Dez porcento. Eu fiquei pasma. Quase cai. Expliquei para o Geek do caixa que não fazia sentido eu ter um aparelho onde paguei cem porcento do preço e ter somente um valor de dez por cento perante a compra da mesma mercadoria. O menino até ficou simpatizante da minha situação. Mas o caso dele é bem explicado pelo Capitalismo; quem não é dono dos meios de produção é obrigado a trabalhar em troca de um salário. De nada adianta reclamar para uma pessoa que tem os mesmo problemas que o meu. Resultado? Estou terminando de instalar meu novo Ipod. Um Ipod metido de cara comprida, light; muito mais fino, sabe cantar, ver filme e foto. Olhando para ele senti saudade do outro que fazia a mesmo coisa, mas não resistiu a maratona tecnológica em que vivemos. Eu não sei por quanto tempo esse irá dura. Mas para garantir vou fazer um investimento de estender minha garantia por dois anos. O que me garante UTI se for preciso. Vivendo que se aprende. No fundo a maçã mais cara que já comprei.