Lutar contra o Hades de cada dia.
No dia 8 de marco de 1857 cento e trinta mulheres fizeram historia. Como forma de reivindicar melhores condições de trabalho, diminuição da jornada (que na época era de 16 horas) e salários iguais ao dos homens (pois naquele tempo as mulheres ganhavam cerca de um terço do salário pago aos homens). Essa manifestação foi encerrada de forma brutal e violenta, como forma de repreender e ensinar as funcionárias, elas foram trancadas dentro da fábrica que logo em seguida foi incendiada.
A criação da data só foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) muitos anos depois e não serve apenas como uma data para se relembrar tal acontecimento. Na maioria dos países, o dia da mulher é marcado por debates, conferências, discussões sobre o que mudou desde a morte brutal das cento e trinta funcionárias e o papel da mulher na sociedade atual.
Qual seria realmente o principal papel da data? Tentar diminuir o preconceito que existe referente a mulher? Tentar colocar a mulher no mesmo patamar profissional de um homem? Ou é apenas mais uma data para dar um beijo e uma rosa para a mamãe?
Muita coisa mudou desde 1857, hoje é visível a participação de mulheres nas decisões e atitudes políticas de diversos países. Incluindo países como o Paquistão, onde mulheres dia após dia estão conseguindo conquistar seus direitos. Hoje existe uma participação muito maior de mulheres que ocupam cargos no legislativo e executivo. Coisa que no Brasil só aconteceu a partir de 1932.
Hoje as mulheres estão cada vez mais interessadas em crescerem como profissionais. Hoje já existe a imagem da mulher como uma competidora de mercado de trabalho com o homem, e não somente a esposa que fica em casa cuidando de filhos. Muito pelo contrário, cresce cada vez mais o numero de mulheres que estão dando prioridade aos planos educacionais e profissionais do que aos planos do vestido branco. Um mal que cresce na sociedade? Depende do ponto de vista de cada um.
Mulher hoje é sinônimo de independência e excelente profissionalismo. Esta provado que a mulher é mais dedicada e eficiente em tudo o que faz. Para a mulher existe muito mais que a necessidade de sempre fazer um bom trabalho, mas existe também o lado emocional pelo qual a mulher sempre irá se dedicar muito mais que o homem em tudo o que faz.
Sim, muita coisa mudou. Mas ainda existe um longo caminho para que os direitos da mulher sejam visto e respeitado com tal merecimento. Mesmo com muita coisa feita, milhares de mulheres no mundo são vitimas de trabalho escravo, violência sexual fora e dentro de casa, abuso de autoridade, desvantagens na carreira profissional. Vivemos num mundo cheio de hipocrisia, indiferença, mentira e desigualdades gloriosas. Onde a desvalorização da imagem da mulher é apenas a ponta do iceberg num mundo onde homens pagam cinco reais para sair com meninas de oito anos de idade no norte do Brasil.
Comemorar? Comemorar o que quando a esperança esta dispersa? A ONU, mesma organização que criou a data, que celebra pelos quatro cantos do planeta a paz e igualdade perante mulheres e homens, está longe de ser o exemplo que tanto se cobra entre os seres humanos.
Mulheres morrem diariamente devido a brutalidade masculina, mulheres passam fome diariamente devido as injustiças de um comércio capitalista, mulheres perdem seus sonhos diariamente quando a realidade é maldade, mulheres choram diariamente ao ver o filho que chora por não ter o que comer, mulheres crescem nas ruas da cidade paulistana diariamente e o dia oito de Março para elas será apenas mais um dia feito para sobreviver e não para comemorar.
Quando que o futuro recomeça? Quando temos o inicio de uma data como essa que foi construída em cima da morte de muitas, ou quando descobrimos que pouco mudou mesmo com tanto sangue derramado?
Eu como mulher comemoro a data não por ser mulher, mas pela sorte de ser brasileira. De ser brasileira e nascer numa época onde minha boca não possui trava nem cadeado. Eu como mulher tenho a sorte de falar o que quero, pensar o que bem entender, amar quem eu quiser, correr pelas ruas da cidade, cantar o hino nacional e ver a lágrima verdadeira, chorar o nascimento do meu filho, não querer ter o meu filho, ajoelhar e adorar o Deus que eu quiser, usar calça jeans e camiseta, dividir um banco de ônibus com uma pessoa que eu não conheço, freqüentar a escola com os meninos, sair de casa se eu quiser depois dos dezoito anos, comemorar a minha tão amada liberdade, votar em quem eu bem entender. Sim, eu posso fazer tudo isso e muito mais. Mas não porque sou mulher e tenho meus direitos, mas porque felizmente eu tive a sorte de nascer em um lugar que me dá o direito de ser o que sou. Mesmo que de forma errada, mesmo que de forma injusta. Eu, ainda posso comemorar.
E as mulheres que não possuem a mesma sorte que eu? Seria justo então essa data ser válida tanto para umas e quase nada para outras? Isso para mim já e o suficiente para provar que a data sempre será lembrada não pelo romantismo da beleza da mulher, mas sim pelas lágrimas que foram derramadas para que hoje existisse o dia oito de março.
Vamos comemorar com velório, velas e caixão, pela morte de milhões de mulheres que morrerão em busca de um mundo melhor, pelas mulheres que sustentam o nosso pequeno universo, pelas meninas que limpam as nossas casas, pelas garotas que oferecem amor gratuito para acabar com a solidão, pela imagem da mulher brasileira que gera um comércio sexual com quadrilhas organizadas abusando de Persephones em todo o País.
Com essas e outras, feliz dia das mulheres para aquelas que lutam contra a maldade e desilusão. Para aquelas que ainda acreditam existir motivos (apesar de tanta dor) para se comemorar. Mesmo que seja pelo direito que ainda temos de respirar. Ainda...
A criação da data só foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) muitos anos depois e não serve apenas como uma data para se relembrar tal acontecimento. Na maioria dos países, o dia da mulher é marcado por debates, conferências, discussões sobre o que mudou desde a morte brutal das cento e trinta funcionárias e o papel da mulher na sociedade atual.
Qual seria realmente o principal papel da data? Tentar diminuir o preconceito que existe referente a mulher? Tentar colocar a mulher no mesmo patamar profissional de um homem? Ou é apenas mais uma data para dar um beijo e uma rosa para a mamãe?
Muita coisa mudou desde 1857, hoje é visível a participação de mulheres nas decisões e atitudes políticas de diversos países. Incluindo países como o Paquistão, onde mulheres dia após dia estão conseguindo conquistar seus direitos. Hoje existe uma participação muito maior de mulheres que ocupam cargos no legislativo e executivo. Coisa que no Brasil só aconteceu a partir de 1932.
Hoje as mulheres estão cada vez mais interessadas em crescerem como profissionais. Hoje já existe a imagem da mulher como uma competidora de mercado de trabalho com o homem, e não somente a esposa que fica em casa cuidando de filhos. Muito pelo contrário, cresce cada vez mais o numero de mulheres que estão dando prioridade aos planos educacionais e profissionais do que aos planos do vestido branco. Um mal que cresce na sociedade? Depende do ponto de vista de cada um.
Mulher hoje é sinônimo de independência e excelente profissionalismo. Esta provado que a mulher é mais dedicada e eficiente em tudo o que faz. Para a mulher existe muito mais que a necessidade de sempre fazer um bom trabalho, mas existe também o lado emocional pelo qual a mulher sempre irá se dedicar muito mais que o homem em tudo o que faz.
Sim, muita coisa mudou. Mas ainda existe um longo caminho para que os direitos da mulher sejam visto e respeitado com tal merecimento. Mesmo com muita coisa feita, milhares de mulheres no mundo são vitimas de trabalho escravo, violência sexual fora e dentro de casa, abuso de autoridade, desvantagens na carreira profissional. Vivemos num mundo cheio de hipocrisia, indiferença, mentira e desigualdades gloriosas. Onde a desvalorização da imagem da mulher é apenas a ponta do iceberg num mundo onde homens pagam cinco reais para sair com meninas de oito anos de idade no norte do Brasil.
Comemorar? Comemorar o que quando a esperança esta dispersa? A ONU, mesma organização que criou a data, que celebra pelos quatro cantos do planeta a paz e igualdade perante mulheres e homens, está longe de ser o exemplo que tanto se cobra entre os seres humanos.
Mulheres morrem diariamente devido a brutalidade masculina, mulheres passam fome diariamente devido as injustiças de um comércio capitalista, mulheres perdem seus sonhos diariamente quando a realidade é maldade, mulheres choram diariamente ao ver o filho que chora por não ter o que comer, mulheres crescem nas ruas da cidade paulistana diariamente e o dia oito de Março para elas será apenas mais um dia feito para sobreviver e não para comemorar.
Quando que o futuro recomeça? Quando temos o inicio de uma data como essa que foi construída em cima da morte de muitas, ou quando descobrimos que pouco mudou mesmo com tanto sangue derramado?
Eu como mulher comemoro a data não por ser mulher, mas pela sorte de ser brasileira. De ser brasileira e nascer numa época onde minha boca não possui trava nem cadeado. Eu como mulher tenho a sorte de falar o que quero, pensar o que bem entender, amar quem eu quiser, correr pelas ruas da cidade, cantar o hino nacional e ver a lágrima verdadeira, chorar o nascimento do meu filho, não querer ter o meu filho, ajoelhar e adorar o Deus que eu quiser, usar calça jeans e camiseta, dividir um banco de ônibus com uma pessoa que eu não conheço, freqüentar a escola com os meninos, sair de casa se eu quiser depois dos dezoito anos, comemorar a minha tão amada liberdade, votar em quem eu bem entender. Sim, eu posso fazer tudo isso e muito mais. Mas não porque sou mulher e tenho meus direitos, mas porque felizmente eu tive a sorte de nascer em um lugar que me dá o direito de ser o que sou. Mesmo que de forma errada, mesmo que de forma injusta. Eu, ainda posso comemorar.
E as mulheres que não possuem a mesma sorte que eu? Seria justo então essa data ser válida tanto para umas e quase nada para outras? Isso para mim já e o suficiente para provar que a data sempre será lembrada não pelo romantismo da beleza da mulher, mas sim pelas lágrimas que foram derramadas para que hoje existisse o dia oito de março.
Vamos comemorar com velório, velas e caixão, pela morte de milhões de mulheres que morrerão em busca de um mundo melhor, pelas mulheres que sustentam o nosso pequeno universo, pelas meninas que limpam as nossas casas, pelas garotas que oferecem amor gratuito para acabar com a solidão, pela imagem da mulher brasileira que gera um comércio sexual com quadrilhas organizadas abusando de Persephones em todo o País.
Com essas e outras, feliz dia das mulheres para aquelas que lutam contra a maldade e desilusão. Para aquelas que ainda acreditam existir motivos (apesar de tanta dor) para se comemorar. Mesmo que seja pelo direito que ainda temos de respirar. Ainda...

