Imagine uma história, um assalto, um bandido armado, um refém desarmado, e um monte de policiais do lado de fora tentando salvar o mocinho. O bandido se renderia pois a força da polícia é imbatível e o refém vai para casa feliz. Cenas assim não existem no cinema brasileiro desdea década de 60 como podemos ver no chamado cinema Marginal. Hoje tudo é diferente, o bandido tem mais controle do que a polícia, que por sua vez é tão suja quanto a marginalidade em sí, e os cidadãos se encontram no meio, mas procurando a melhor mira na hora de se defender. E hoje a pergunta é, o que privilegia a polícia de uso bélico e não eu que nem na polícia posso confiar? Há nesse caso vários sentidos de interpretação, e fica difícil de saber qual a melhor decisão a ser tomada. O melhor mesmo seria analisar os fatos. O "achismo" nunca levará na decisão da melhor escolha, porque o que é bom para você não é bom para mim. O que se dirá então para uma população de uma cidade como o Rio ou São Paulo ? Fica então bem claro a necessidade de ouvir as pessoas. E é por isso que o dia 23 de outubro é tão importante. É importante por ser uma decisão em massa, feito por direito adquirido do voto e todos devem votar, independente do sim ou do não. Em meio o tiroteio real, existe um outro que não mata na hora, mas cria um problema muito sério em relação a decisão à ser tomada. A mídia. Por incrível que pareça ainda existe meios de comunicação que estão a favor do não e achando o sim a maneira errada de combater o problema. O que mais me impressiona é ver que essas pessoas, chamados de jornalistas, possuem um auto-conhecimento incrível no setor referido, é muito me admira uma revista como a Veja tomar o lado do não de maneira escancarada e ofensiva como está fazendo essa semana. A única conclusão que chego é que muito mais que uma questão de opinião pública isso vai se tornar em algo muito mais caótico. Está provado que um revólver na mão de quem não possuí treinamento suficiente, e não possuí temperamento suficiente é perigoso demais. Para que serve um revólver se não for para matar? E quem garante que legítima defesa não é um momento de raiva de uma pessoa descontrolada? E muito pior, quem dá o direito a qualquer pessoa de matar alguém? O problema está na mentalidade que se o bandido tem eu também tenho e isso nunca vai resolver o problema. Fica difícil mesmo na realidade em que vivemos acreditar que a polícia é honesta e que na hora certa eles vão estar lá para te defender, mas também cada um fazer o que quer e sair dando tiros a esmos nunca será a solução de problema algum. Só sei que essa guerra particular que vívemos não está restrita somente a marginalidade, e pelo que vejo, o "sim" incomoda muito mais a deputados e fazendeiros do que ao próprio chefe do morro. Como que muitos irão defender suas terras contra o bando de gente vagabunda do tal MST? Ou como que meu guarda-costas irá me defender na hora que o bicho-pega? Muito mais que um problema de defesa pública isso se tornou um problema de livrar o meu da reta. E tem muita gente preocupada em perder o três oitão com tudo isso. Só sei que revólver não é arma para paz e que todo "cidadão de bem" tem que fazer o bem baseado na vida e não na morte. O Brasil é hoje o maior país do mundo com número de pessoas mortas por arma de fogo.As armas estão matando os jovens do meu Brasil. Os números são absurdos e mesmo dessa maneira muitas pessoas parecem não entender. Que país é este ? Existe muita arma no Brasil e arma foi feita para matar e
controlar as armas legais ajuda na luta contra o crime. Não adianta, o mercado legal vai sustentar o ilegal sempre. E o desarmamento sempre será a solução mais inteligente, simplesmente porque salva vidas. A população precisa entender e aceitar, que quem tem arma é criminoso e qual o sentido de se tornar um outro em nome da legítima defesa? Pela primeira vez temos a chance de mudar algo de um valor tão grande pelas nossas mãos e não com armas. Eu queria muito estar no Brasil e poder dizer sim a vida. Eu espero que todos possam desmistificar a idéia do bandido cool e se tornar um cidadão careta, porém vivo, porque gente morta só serve para aumentar estátisticas.