On this side of the Universe.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Daqui uns oito anos...


Julinho: Puts cara, que merda que voltaram as aulas.
Marcelo: Nem fala...
Julinho: Mas pqp cara você tem que ver a gostosa da minha professora.
Marcelo: Hmm...Ela é boa é ?
Julinho: Nossa mó gostosa ela, tem uns peitão sabe? Affff
Marcelo: Professora do que hein?
Julinho: Hmmm... Se não me engano professora de História.
Marcelo: Sei.
Julinho: É...Agora sim, muito me importa o Tratado de Tordesilhas.
Marcelo: Cara se liga, isso é assunto de quinta série !
Julinho: Ah é ? Foi mal.....
Marcelo: ........

* Illustration by the Misterious Universe of Sir. James Jean
And the conversation provide by my future pupils.

Vende-se, troca-se ou permuta-se

Vendo, troco, ou permuta-se cérebro usado. O cérebro ainda se encontra em bom estado. Alguns neurônios foram queimados devido ao uso ilegal de marijuana, mas nada que comprometesse o uso do mesmo. O cérebro possuí vinte e oito anos, ficou um período sem ser usado e pode ser que esteja um pouco atrofiado. Já possuiu sonhos, idéias revolucionárias, uma leve depressão mas nada que o Zoloft não ajudasse, possuí excelente gosto para música, artes e ainda possuí religião. Não bebe, não fuma e só transa de camisinha. Sabe cozinhar, passar, cuidar da casa, mas não se deixe enganar pois também sabe discutir as influências socialistas de Marx. É meio teimoso e não gosta muito de mudar as suas opiniões. É rápido, eficiente, mas não funciona muito bem de segunda-feira e detesta acordar antes das seis da manhã. É um excelente parceiro para dançar, conversar, ou trocar confidências. Mas que fique bem claro, é totalmente heterosexual e profundamente apaixonado pelo Rodrigo Santoro. Quem estiver interessado, por favor entre em contato com o proprietário. Aceita propostas de trocas mas que seja no mesmo valor. Depois de feito negócio, não será aceito devolução. E fiado só amanhã.

quinta-feira, outubro 20, 2005

I love the smell of Napalm in the morning...

"Brazilians have a startling propensity to shoot each other", yeap, exatamente assim começa a matéria do New York Times sobre o referendo que acontecerá domingo dia vinte e três no nosso país. Well I guess everybody knows that now, from the Queen of England to the hounds of hell. The world is watching. O Brasil é um dos maiores produtores de armas no mundo hoje. And everybody wants a piece of that. Como se já não bastasse a matança em território nacional ainda exportamos para os nossos vizinhos, e assim participamos de tabela da guerrilha que acontece na Colômbia. Confesso que ao ler a matéria tive uma crise de riso. Sárcastico. We have the propensity to shoot each other. E assim vamos vivendo nossa guerra particular. A cada dia acordamos para o nosso Apocalipse Now. It's O600. What does the O stand for? Oh my God, A'm I going to be alive by the end of the day? We have the propensity to shoot each other. Nélio disse que ia pagar e não pagou. Foi lá, conversou com os caras, comprou droga fiado e ficou enrolando o pessoal. Chegava lá com 10, 15 reais, e não pagava os 2 reais que devia. O cara falou pra ele: 'Tu ta me tirando como otário, né?" Nesse dia eu estava com ele. Foi bem assim que ele falou. Nélio era bom de papo e conversou pra caramba: "Não, porra, por causa de quê?" mas o cara insistia: " E aquela nossa conta? Dois reais, nêgo!" O Nélio foi la pro canto jogou uma conversa no cara, o cara falou não sei o que pro Nélio, e o Nélio deu assim de ombro e veio em nossa direção, dando as costas pro cara. "Você me aguarde", o cara disse. No dia seguinte, ao meio-dia, a gente estava almoçando, o cara chegou com mais dois. Apertou a mão do Nélio, deu uma abraço nele e, enquanto abraçava, meteu a mão na pistola, deu dois passos pra trás e disparou quatro tiros. Nélio ficou sangrando que nem porco. Até morrer. "Dois reais, porra. Dois Reais". We have the propensity to shoot each other. Corinthiano olha, palmeirense para, corinthiano ri, palmeirense corre. Corre não irmão. Bang. We have the propensity to shoot each other. O que você vai ser quando crescer? Eu quero ser bandido quando eu crescer. Bang. We have the propensity to shoot each other. Mão na cabeça porra. Mas a gente não fez nada. Deixa a menina porra, deixa a menina. Bang. We have the propensity to shoot each other.Tá olhando o que? Tá olhando o que? Qual o seu problema? Bang. We have the propensity to shoot each other. Não leia. Leia. Não pense. Pense. Ou seja nenhuma hipótese pode ser excluída. Tanto a otimista quanto a pessimista são realistas. We have the propensity to shoot each other. E o nosso Vietnam diário continua. Dia 23 está ai. Logo, logo nem pólvora será suficiente. Terminate... with extreme prejudice.


(...)
Kilgore: Smell that? You smell that?
Lance: What?
Kilgore: Napalm, son. Nothing in the world smells like that.
Kilgore: I love the smell of napalm in the morning. You know, one time, we had a hail bomb. And for five hours, I walked up. We didn't find one of them, not one stinking dink body. The smell, you know, that gasoline smell, smells like... victory.

So tell me what you don't like about yourself?

Para os que ainda não sabem, depois de quase uma década in terra americanus estarei retornando para terra brasilis em breve. So what have I learned ????? I can quite genuinely say that I had the most amazing years of my life. Today I have the willpower and the courage to do whatever I can (well that's what I have to believe the most), that doesn't mean failure is not on my way. But I truly and utterly believe that I can do anything I want. So now I just have to move my toughts. But until that let's enjoy what's on TV tonight. For the second time this week I'll be watching Nip Tuck and I can't get enough of it. Ohhh gosh I will miss my miserable life as a lazy-ass-tv-watcher...

quarta-feira, outubro 19, 2005

Política de Limpeza Social.

Uma pesquisa mostra que o número de pessoas que vivem nas ruas de São Paulo aumenta a cada dia e que a causa para esse fenômeno é a ausência de políticas públicas. E para piorar a prefeitura da capital não possuí um olhar social para o problema. Muito pelo contrário, está provado que as atitudes tomadas pelo prefeito e sua equipe são deslocar os pobres das aréas de concentração rica e jogando-os novamente em qualquer outro lugar. O que Serra realmente quer é ver a cidade livre e limpa de mendigos, para ele não importa que essa pessoa tenha um nome, uma história, um coração, sente frio, passa fome e se detesta por viver em condições tão miseráveis. Isso realmente não importa, o que importa é que da casa de Serra até a prefeitura tudo seja perfeito, limpo, e que a pobreza fique onde merece, ou seja, nas periferias, bem longe dos espaços urbanos que promovem uma cidade tão rica e cheia de oportunidades como São Paulo. A última idéia brilhante do prefeito foi criar umas rampas anti-mendigo, principalmente nas aréas onde os carros passam e se concentram um número de crianças e adolescentes que ficam a admirar os motoristas com seus carros blindados e de luxo. As rampas são construídas nas partes de mais movimento por parte dos ambulantes, elas possuem um piso chapiscado e áspero para dificultar a tentativa de dormir naquele local. A primeira tentativa já está sendo feita, em uma aréa onde residem trinta pessoas, entre elas crianças e um bebê de dez meses. Os moradores por não terem nenhuma opção de moradia decente, simplesmente mudaram para o outro lado da rua. Sem nenhuma perspectiva o que resta fazer é atravessar a rua e esperar que os expulsem novamente. O descasso chegou a tal ponto que o mais fácil é tratar as pessoas como papelão, jogando-os de um lado para o outro. A única diferença é que o papelão ainda tem seu valor monetário e sua venda ainda serve para alimentar várias famílias. Será que o prefeito não possuí o mínimo de percepção e não entende que isso gera um apartheid social na cidade? Já não basta a miséria e a dor de quem nada tem? Mas é muito mais fácil criar um tapa-buracos e deixar os bairros de elite mais limpos. O que os olhos vêem, noite melhor para se dormir. Infelizmente as consequências são imprevisíveis e trágicas. Para o prefeito essa ação tem nome e tudo, "Operação Limpa". Isso mostra mais uma vez a visão problemática do governo Serra. É inadmissível tratar as pessoas como lixo, quem está na rua precisa de uma reinserção social. O problema tem que ser tratado de maneira mais séria e levando em consideração reestruturar a vida da pessoa. Mas quando a paisagem está feia, fedida e incomoda a elite paulistana é muito mais eficaz jogar o pobre para outro lugar ou prende-lo em uma instituição como se ele fosse louco por não ter condições melhores de vida. Imagina tirar do ambulante a única coisa que lhe resta, o direito de andar pelas ruas. Onde está a oportunidade de uma vida melhor? Onde está a obrigação do Estado em providenciar programas de melhorias de vida para essas pessoas? Para o prefeito "é uma bobagem imaginar que tudo isso se trata de uma política higienista". Claro que é bobagem. É muito fácil quando se fica atrás de uma mesa com o cú na mão. E assim o muro vai ficando maior, intransponível, nos distânciando cada vez mais da verdade que é somente uma, sem o amor eu nada seria.

terça-feira, outubro 18, 2005

O senhor da guerra não gosta de crianças.

Será que a gente tem mesmo a idéia da realidade que vivem os jovens e as crianças do nosso Brasil ? Um país cantado em tons de cores vivas, mas que vive uma realidade tão distante da aquarela que Ary Barroso sonhou. Outro dia me revoltei duma forma absurda assistindo uma matéria na tv sobre um campo de treinamento da Al Qeda, onde crianças à partir de oito anos de idade começam seus treinamentos de tiro com metralhadoras. A pior notícia é que não preciso ir longe para presenciar cenas como essa, é somente ir para qualquer morro no Rio de Janeiro que isso acontece todos os dias. Crianças que não possuem nomes e sim posições de estratégia. Crianças que não vão à escola, mas trabalham no tráfico sem horário para começar ou terminar, tudo para levar um quilo de carne e meia dúzia de pães para o lar. Eu estou lendo o livro do MV Bill e cada página parece me tirar as esperanças e me dá muita raiva de saber que tudo isso é verdade e acontece nesse exato momento, na Rocinha, no Dona Marta, na Cidade de Deus, na Paraíba, no Rio Grande do Sul, enfim é de todos os lados. E se você examinar o problema da raiz mesmo, daí que parece não ter soluções. Durante a leitura uma pergunta não sai da minha cabeça; "e o Brasil será que tem mesmo solução?". Eu não sei. Só sei que onde há vida tem que haver esperança, e não podemos desistir nunca. Aqui vai um trecho que achei de uma verdade maravilhosa (ainda mais nessa última semana que se segue para o referendo) vale a pena rearfimar; armas não resolvem o problema, só tiram os sonhos das crianças e colocam um futuro de morte para os nossos jovens.

(...)
Podíamos permitir que o Brasil soubesse que, por trás de uma arma, tem um coração batendo; que é preciso uma grande intervenção política no país para que não estejamos fadados à escravidão de seres humanos; e que essa intervenção não seja policial, mas em todas as áreas. Não é possível continuar matando esses jovens como se eles fossem os nosso algozes. Não é possível ficar martelando esses jovens e os enjaulando como animais em celas frias. Não é possível a sociedade se escandalizar com as rebeliões dos menores e não ficarmos escandalizados com o fato de serem zero as chances de suas famílias serem parte de uma sociedade civilizada. Pois, se achamos que o mundo caminha como deveria e que só os outros é que estão errados, então seria melhor abrir a boca, escancará-la e esperar a morte chegar - se é que tenho direito à licença poética.