On this side of the Universe.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Onde esta a postura de Robin Hood ?

Foi exatamente assim que comecou o email que recebi de um amigo meu. Isso ele disse em um certo tom de critica, pois faz tempo que eu nao escrevo nada e principalmente sobre politica coisa e tal...Estava sem computador. Agora surpresa meus amigos, comprei meu ibook G4...Por favor, por favor, sejam razoaveis. Mas pra quem me conhece sabe o quanto eu amo o simbolo consumista da maca. E nossa, estou tao feliz....Estou aprendendo a usar a maquina e pareco crianca quando ganha brinquedo novo. A unica diferenca eh que nao sou mais crianca e nao ganhei de presente. Tive que abrir a carteira mesmo. Enfim agora estou de volta a realidade virtual que prende e cega. Estou me acostumando de novo com as noticias vindas do Brasil e muito feliz pelas novas pesquisas da Unicef (mas isso falo em outra hora). O espirito de Robin Hood esta aqui sim, cada vez mais acesso e prestes a atormentar a vida dos cidadaos brasileiros em terra brasileira. Com paciencia aqui seguem as cenas dos proximos capitulos...

Eu juro que eu tive que matar, eu juro...

Genio, louco, tarado, revolucionario. Esses sao apenas alguns adjetivos para falar de Nelson Rodrigues. Em se tratando de dramaturgia "adulta" nada me incomoda e impressiona mais que Nelson Rodrigues. O primeiro contato que tive com a leitura de Nelson foi com o texto de "A mulher sem pecado", a partir dai foi uma leitura atras da outra. A admiracao pelo dramaturgo depravado crescia cada vez mais. Eu devia estar nos meus dezoito anos e ate entao nunca tinha visto nada que tratava de paixoes exarcebadas, incestos, taras, obcessoes carnais da maneira como ele fazia. A cada frase lida mil coisas se passava na minha cabeca, principalmente quao hipocritas nos somos na maioria das vezes. Nao que no meu caso exista algo tao claro e transparente como os contos de Nelson, muito pelo contrario, nao sou santa que sei, mas nunca me apaixonei pelo primo ou dormi com o meu irmao. Nesses casos somente uns ou outros doentes mentais se encaixam. Mas falo do potencial humano de adquirir uma obsessao louca ou um desejo fixo por algo que muitas vezes nao pode ser nosso. O desejo eh algo muito perigoso, mexe coma cabeca, nos tira o raciocinio logico, nos faz mentir, inventar historia, tudo por uma boa foda e assim matar o tesao que nos atormenta a alma. Sim, cada historia contada por Nelson eh real. Na minha vida de maneira mais sutil, mas tao viva e fervorosa como as narrativas de Engracadinha. Que mulher nao deseja amar e se sentir desejada como senao existisse o amanha? E para mim, longe de ser uma pornografia cheia de incestos, Nelson fala do desejo que existe em nos de sermos comidas de verdade. Quantas mulheres nao sabem o prazer de uma noite de amor, por medo divino ou por um marido que nao sabe como fazer essa mulher feliz? Isso sim eh pecado. Eliminar de vez as chances de ser feliz na cama por medo dos proprios desejos e vontades. Dai os olhos procuram outras coisas e assim o desejo que antes adormecido retorna buscando outros caminhos. No meio da putaria de Nelson se percebe a necessidade do dialogo entre as pessoas. No fundo eh isso mesmo, as coisas somente perdem o limite da razao e fazemos aquilo que nao devemos por falta de dialogo. Na verdade muito mais que um dono de bordel Nelson Rodrigues passa a ser o dono do diva pelo qual eu e cada um de nos deitamos e contamos mesmo que em segredo aquilo que mais nos agrada, mas que temos de medo de dizer. Eu acredito que toda pessoa que le um texto de Nelson, olha para os dois lados somente para ter certeza que ninguem esta vendo, pois seria vergonhoso demais alguem descobrir que aquilo ali se encaixa na sua vida de alguma maneira. Pena daqueles que gastaram fortunas nas sessoes de terapia. O problema talvez poderia ser resolvido lendo-se um livro, de Nelson claro. Os anos passam e Nelson continua repleto de significado, levando o teatro brasileiro a milhas e milhas distantes do que estamos acostumados a digerir. Mas por enquanto, eu, continuo amando o senso de humor perverso, canalha e talentoso de Nelson. Pois como ele mesmo disse, "so os imbecis tem medo do ridiculo".