On this side of the Universe.

sábado, dezembro 24, 2005

E o verbo se fez carne e habitou entre nos.

Ha dois mil anos atras uma virgem chamada Maria estava noiva de um cara chamado Jose. Maria deveria ser uma garota especial, pois um dia recebeu a visita de um anjo. Eu sempre quiz ver um anjo. Sempre pedi para Deus me deixar ver um anjo, mas ate hoje nada. Quem sabe um dia. Mas com Maria foi diferente, eu nem sei se ela pedia ou nao para Deus de ter a chance de falar com um anjo, querendo ou nao ele apareceu. E disse a Maria que ela teria um filho, mas nao de seu futuro esposo Jose e sim do Espirito Santo de Deus e Esse viria a terra para salvar o homem. Pausa. Se fosse eu, ja estaria pensando que estava tendo alucinacoes. Deserto, calor, um pouco de sede, faz coisas com a nossa cabeca. Imagino a cabeca dessa pobre moca, tendo que ir embora e dar as boas novas para Jose. Imagina, se hoje nada eh facil por aquelas bandas imagina-se naquela epoca. O que diria Maria; " Entao Jose o que voce acha de carne de carneiro para a janta? By the way to gravida do espirito de Deus". Nao sei como foi a conversa de Maria, mas tenho certeza que Jose depois de entender tudo o que estava se passando deve ter se sentido muito feliz por ter sido escolhido por Deus a cumprir tarefa tao maravilhosa. Maria ficou gravida, passou por muitas provas, teve que fugir de um decreto de morte aos bebes, fugiu para Belem e sem hospedagem na cidade, teve que dividir a noite com os animais em um estabulo. E ali, sem anestesia, sem enfermeira, sem lencol branco e agua quente o Messias nasceu. Qual a ideia do Natal se nao for unica e exclusivamente para nos relembrar quao egoistas somos? Mas mesmo assim ainda existe um Deus que nos olha com piedade e sempre nos da um segunda chance. Fazem dois mil e seis anos que em Jerusalem, no meio de vacas e carneiros, sem um berco de ouro, Jesus nasceu. O mundo hoje esta dividido em ideias demais, teorias demais, o Natal hoje se resume na quantidade de presente que ganhamos e na maratona absurda de comprarmos mais e mais sempre. Odeio o sentimentalismo cinico que as pessoas criam no Natal.Se nao for de verdade do que adianta? De que adianta a hipocrisia natalina quando no dia vinte e seis as nossas desigualdades serao as mesmas. Muito mais que presentes e desejos de boas festas, eh necessario o entendimento do verdadeiro significado do Natal. Quem sabe assim a gente nao se torna um pouco mais gente. Quem sabe... Sendo que no fundo eu sei, com Jesus ou sem Jesus tudo sempre acaba em peru. Feliz Natal e que venham os presentes...

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Parou para ler? Azar o seu....

Hoje o bicho vai pegar....Sim, muitas coisas para falar. Hoje encarno Mainardi e estou aqui para criticar. Phoda-se.

Um lamentavel lingüicídio

Essa manha estava me deleitando com a experiencia ainda livre ao homem de navegar na internet. Sim, sim. Um dos meus guilty pleasures preferidos; procurar blog ruim na net. E pasmem-se, o meu nao eh o pior. E aqui estou na busca dos efemerides. E descobri que a arte literaria eh para poucos. Mas muitos acreditam fortemente possuir uma veia poetica a tal ponto de ser considerado a receber a cadeira de numero trinta e dois na nossa querida Academia. Cadeira que hoje eh confortavelmente apreciada pelo querido Ariano Suassuna, e que foi fundada por Carlos de Laet. E quem eh Carlos de Laet? Jornalista, professor e poeta, nasceu em 3 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro, RJ, e faleceu também no Rio de Janeiro em 7 de dezembro de 1927. Convidado para a última sessão preparatória da instalação da Academia, em 28 de janeiro de 1897, fundador da cadeira numero trinta e dois. Carlos de Laet como um bom academico, estudou no Colegio Dom Pedro II, teve o seu bacharelado em letras. Foi engenheiro, professor de Portugues, desempenhou uma carreira como jornalista, foi perseguido por suas conviccoes monarquistas e se sentia orgulhoso por nao ter feito parte da Revolta da Armada. Foi exilado. Foi considerado reacionario, pois combateu e ironizou o modernismo (o mesmo modernizo que me oferece tantas informacoes), mas ate ai eh facil de compreender, sendo que Carlos de Laet cresceu numa cultura classica nao seria facil aceitar as ideias de uma Semana de Arte Moderna que nascia em Sao Paulo. O que diria Carlos de Laet hoje, em meio ha tanto desprezo da arte literaria e da possivel morte da lingua portuguesa? Ainda não esqueci o aborrecido desgosto que tive de curtir ao ler certos blogs essa manha. Lamentavel. E a cada dia mais e mais "mininos e mininas" criam seus blogs sem a intencao da escrita correta e assim aniquilando as palavras da nossa lingua portuguesa. Como um holocausto gramatico as cousas estao piorando. Eh uma grande desnacionalizacao linguistica. E para mim a pior parte eh quando no meio de tudo encontram-se textos e frases de poetas e autores brasileiros. Lispector virou para os blogs o que Rita Cadillac virou para os presidios brasileiros. E mais carne de vaca que a frase "Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa...", eh a musica do Latino nas radios. Pobre Clarice, tao misteriosa. Hoje para muitos nao passa de um cabecalho de referencia em um blog com decoracoes de Hello Kitty. Clarice comparou a sua necessidade de escrever com a necessidade fisica de beber agua quando temos sede, ela escrevia para manter-se viva. E hoje para que escrevemos? Para contar o numero de comentarios no final de cada texto? Para retratarmos a nossa vida diaria, como se realmente o que eu faco ou o que voce faz importa para alguem. Ou escrevemos por sermos cult? Eu quero escrever porque estou viva. Quero que cada letra dos meus textos sejam repletos de calor e que provoquem sede e dor como em "Morte e Vida Severina", quero que meus contos falem do romanceiro nordestino como em "Uma mulher vestida de sol", que as pernas tremem e tomam-se os corpos por haver tanta cintilancia como em "Do desejo", quero que o ceu a terra sintam vergonha como as paginas de "Um beijo no asfalto", quero que a favela e o operariado sejam o tema da discussao como em " Eles nao usam black tie", quero escrever para gente grande e para gente crescendo como Ana Maria Machado, quero morrer em praca publica se for preciso. Quero que as palavras pulsem em meu coracao e que seja a veia mais forte que controle a minha vida, e a minha alma. Hoje eu sei porque escrevo, nao porque estou viva, mas para continuar vivendo.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Um poeta...

dois? ou um?

Sobre a dor
Ombros
Sombrios
Sem brilho

Mas
Sob os olhos
Uma luz
Lúcida

E
Na língua
Lábios
Lascivos

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A cama
Luxúria
Extravagância

Dois anéis que não se correspondem

Boca calada pelo pecado raso
E corpo poeira-de-estrelas caído
Ao som da faca que foge no ar
E que encontra seu abrigo



.por rodrigo.